“Após ter jejuado quarenta
dias e quarenta noites, teve fome.”
Mateus 4:2
A experiência
terrena reserva multifacetadas perspectivas para todos os que lhe experimentam
a caminhada. É, contudo, na necessidade que lhe encontraremos o denominador
comum a sujeitar todas as criaturas que fazem parte do seu périplo. Partindo
das exigências do corpo até às mais elevadas expressões do espírito,
encontraremos diferentes níveis de anseios e exigências que deverão ser
atendidas, a fim de que a saúde integral se faça presente.
A
psicologia moderna aponta na criatura humana um conjunto de espectros que
deverão ser considerados em seu conjunto a bem do equilíbrio necessário à
vivência com significado e plenitude.
É
importante nutrir o estômago e saciar a sede, contudo, sem o alimento das
relações e a água transformadora das experiências novas, o homem será um
cadáver de sentimentos, embora em veículo físico bem apresentado.
A
moradia que nos abriga e a vestimenta que nos cobre compreendem valiosos
recursos a nos proteger das intempéries do tempo, entretanto, sem os objetivos
que nos movem e a esperança que nos fortalece, seremos quase sempre o tumulo de
nós mesmos.
A
convivência no âmago da sociedade será sempre a alavanca a multiplicar os
esforços individuais a bem da coletividade, mas sem a fé e o autoconhecimento
nos transformaremos em barco à deriva no mar dos modismos e das opiniões, frequentemente
naufragando sob as ondas da insanidade.
Nem
mesmo o Cristo, Senhor e Mestre, permaneceu indefinidamente no estado de
profunda reflexão que antecedeu o seu ministério de luz. Após certo tempo,
representando a caminhada do povo hebreu no solo desértico após a libertação do
cativeiro egípcio, teve fome.
Chegará
em nossas vidas sempre o dia em que também nós teremos fome. Mas, esta, denota
somente uma necessidade a ser atendida, cabendo à nossa consciência a escolha
daquilo que irá nos satisfazer. O mundo certamente oferecerá mil manjares de
variado colorido e doce sabor, que poderão saciar a estesia de momento, sem
oferecer solução duradoura para as carências da alma. Desfilarão diante de nós
vastas opções lícitas sob os conceitos transitórios, mas quantas delas nos
convirão?
Lembremos
sempre que quando estivermos diante de uma necessidade imediata, estaremos sob
o impulso íntimo que nos caracteriza, mas caberá sempre à razão e ao sentimento
o direcionamento adequado desse impulso, a fim de que o seu atendimento se
converta em fonte de paz e harmonia, e não em charco de dor e sofrimento.
Saulo Cesar
Saulo Cesar
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