Mateus 4:1
Nas
antigas simbologias que marcavam a forma de entendimento e expressão do
conjunto de idéias que se faziam da trajetória humana na busca da unidade com
Deus, através do florescimento em nós da semente por Ele depositada, o deserto
assinalava a moradia daquele que representava a dissensão e a divisão. Tudo
quanto não edifica em direção à união e ao progresso esfacela-se gradativamente
até atingir o estado de pó em que a vastidão improdutiva e estéril de areia e
pedra encontra legítima expressão.
No
conjunto das crenças populares, também encontraremos essa assertiva no dito que
assinala a mente vazia e ociosa como morada de tudo quanto se interpõe aos
desígnios Divinos de amar e agir incessantemente na direção do bem.
A
figura do Cristo, simbolizando o modelo para todos os que estagiam na Terra
ansiando pela luz em si mesmos, dirigida, pela intuição, aos lugares ermos para
facear com as forças antagônicas ao seu ministério, representa momento de
crucial importância a marcar a vida de todos nós.
O
mundo muitas vezes, pelos seus imperativos e condicionamentos, delimita nosso
campo de reflexão, ocultando de nós mesmos a visão clara do que somos e em
direção a quê nossos impulsos nos movem.
Dirigidos
ao país do eu profundo, onde as manifestações exteriores se calam para ceder
espaço unicamente às notas que marcam a harmonia ou desarmonia do que somos,
defrontaremos invariavelmente com o conjunto de nossos atavismos primitivos a
nos incitar a permanecer na zona de inércia, atrasando nosso progresso. Esse
confronto não se reveste do véu da facilidade, porquanto exigirá sempre alta
dose de auto reflexão, auto-crítica e fé, nem sempre encontradas em nossa
bagagem por vezes repletas de objetos e quinquilharias que se mostram
agradáveis aos olhos, mas não representam fonte de iluminação verdadeira.
Essa
a razão porque larga parcela da humanidade permanece alheia a essa empreitada,
preferindo iludir-se quanto à necessidade de confrontar-se consigo mesma,
permanecendo nas águas mornas da convivência e da apatia até que, ouvindo o
apelo da intuição, seja arrastada pelo decreto da dor.
O
exemplo do Cristo nos convida a não adiar o encontro com nossa consciência, a
fim de que, fortalecidos pela compreensão do que somos e de nosso papel na teia
da vida, possamos agir em conformidade com a verdade que liberta e com o amor
que constrói.
Lembremos
sempre que, por mais terríveis que sejam os inimigos que carregamos dentro de
nós, eles permanecerão inalterados se não nos dispusermos a enfrentá-los
decididamente movidos pelo firme propósito de crescer e progredir.
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