Mateus
3:7
A postura farisaica e saduceia
encontra eco em todos os tempos da história humana. Os primeiros representam os
oficiais do sacerdócio ritualístico, que estabelecem regras para o exterior e
permitem que o interior permaneça acumulando detritos e podridão. São os
profetas da aparência, que vicejam aqui e ali, alargando as estradas dos ganhos
fáceis que conduzem aos despenhadeiros de difícil saída. Os segundos
caracterizam os incrédulos em relação ao futuro, que justificam suas ações nas
relações de troca favoráveis aos próprios interesses e manejam com habilidades
as variáveis das equações do mundo, mas no que tange às responsabilidades do
espírito, materializam a caridade simplesmente passando a caneta no cheque e a
borracha na consciência.
Intelecto desenvolvido é traço que
marca ambos, embora de maneira distinta, prevalecendo, contudo, a miopia de
sentimento.
De movimentos existentes à época do cristianismo
nascente, evoluíram para modelos de comportamento que se espraiam por todas as
sociedades, e se os olhos atuais os identificam, nem sempre lhes divisam a
natureza íntima, alçando-os aos
pedestais dos espertos e prudentes, esquecendo que a esperteza, que aponta para
os próprios interesses unicamente, é egoísmo, e a prudência, que armazena sem
nada compartilhar, é ganância.
A lei mosaica, que imperava naqueles
povos, apresentava o claro ensinamento de que toda ação, contrária às
orientações do grande profeta do Deus único, seria julgada pela justiça Divina,
e encontraria pena proporcional ao desequilíbrio perpetrado. Era justo portanto
que se esperasse o efeito decorrente da causa.
Mas, ao procurarem a renovação
pregada pelo Batista, demonstravam uma consciência latente de que o Deus da
Justiça é também o Deus de Amor e que a Misericórdia é atributo das leis
universais, facultando a reparação pelas obras de edificação do bem. A pergunta
de João é, portanto, oportuna: quem vos ensinou essas coisas?
Cada um de nós traz na bagagem,
consciente ou inconsciente, o rol de elementos que buscamos reequilibrar na
balança dos equívocos, e se trazemos tais reconhecimentos, também como filhos
do mesmo Pai, sabemos intimamente que a vontade Soberana é que a nossa oferta
seja a da misericórdia em favor do próximo, mais do que os holocaustos do
sacrifício.
Se nos dispusermos a agir em direção
a essa verdade, a Providência Divina não nos negará o amparo, como João não
rejeitou a presença dos que o procuraram, e nos concederá novo dia de benção,
onde poderemos, através das atitudes de fraternidade, tolerância, perdão e
benevolência para com todos, semear a semente de um futuro melhor para nós
mesmo.
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