“Permaneceu lá até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito pelo Senhor através do profeta: Do Egito chamei o meu filho.”
Mateus 2:15
Durante nossa experiência na vida variadas circunstâncias nos induzem a esse ou aquele caminho, que consideramos seja afastado das idealizações que almejamos ver concretizadas. Quando nos defrontamos com tais situações, cujos objetivos nos fogem à compreensão, muitos de nós se nclinamos sobre o cálice das lamentações, enchendo-o com o fel das reclamações.
Uma mudança inesperada que adia projetos nascentes.
Um afeto que se distancia, abrindo espaço para a solidão.
Uma perda repentina, deixando o vazio como lembrança.
Dores que surgem, apresentando-nos o fantasma da incerteza.
Tais atitudes, se perfeitamente compreensíveis entre os que divisam vagamente nossa situação de filhos tutelados pelo amor infinito de Deus, não gozam do mesmo status quando encontradas nos corações dos que já dispõem de fé e compreensão. Dentre estes, a fé se converte em confiança e a compreensão em trabalho ativo com os elementos de que dispõem.
Sabem eles que a Divina Providência conhece melhor do que nós, criaturas de limitada visão, as nossas reais necessidades e as nuances das circunstâncias em que estamos inseridos.
Reconhecem que projetos, iniciados sem o necessário amadurecimento de avaliações e recursos, podem achar-se comprometidos desde o nascimento, sendo justo o seu adiamento.
A solidão muitas vezes é o espaço de reflexão para que nos conheçamos, a fim de não sobrecarregar as relações que estabelecemos com o peso de nossa fragilidade.
A perda, que hoje se lamenta, pode converter-se na capacidade de valorização de muitas bênçãos que nos aguardam no amanhã.
O sofrimento, que dilacera nossa alma, pode revelar forças que, de outra forma, permaneceriam latentes na profundidade de nosso inconsciente e abrir espaço para novas realizações.
Imitemos o exemplo da Sagrada Família, que aceitou permanecer longe do solo de seus amigos e familiares, nas terras da idolatria, marcada pelo culto a deuses diferentes até o dia em que fora novamente chamada ao território onde seria plantada a semente do Evangelho e, se julgamos estar afastados do caminho de nossas idealizações, jamais percamos a fé e não nos convertamos em fonte de reclamações, pois que no momento oportuno a Divina Sabedoria nos reconduzirá à estrada das realizações nobres da alma.
Nenhum comentário:
Postar um comentário