“Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamarão com o nome de Emmanuel, o que traduzido significa: ‘Deus está conosco’.”
Mateus 1:23
Preciosos dons foram ofertados pela Divina Providência aos Seus filhos na caminhada evolutiva. A inteligência para construir e transformar; a força para edificar e caminhar; o sentimento para crescer e auxiliar. Muitas vezes, contudo, o homem se esquece do mais precioso de todos eles, sem o qual o palco da existência se converteria em deserto inerte, qual seja o dom da vida.
É nela que a Misericórdia Divina se faz presente oferecendo sempre nova oportunidade de renovação. É nela que a justiça se realiza harmonizando no hoje o que foi desarmonizado no ontem. É nela que a promessa de união se concretiza, pois que na vida o homem está em comunhão com o Pai, ainda que Lhe negue a presença ou que tape os ouvidos aos Seus chamados.
É nesse sagrado departamento do viver que as existências se encadeiam, estabelecendo laços de recomeço e progresso. Cada criança nascida é uma promessa que se renova e uma experiência que se enriquece.
Na antiguidade, o fim de uma geração era tido como o término da proteção divina sobre uma determinada família, tanto quanto a prole numerosa representava o amparo do Pai.
Essa compreensão, que remonta ao “crescei e multiplicai-vos”, foi muitas vezes reduzida da sua magnitude aos laços estreitos da consanguinidade, abeirando-se do precipício do escuro egoísmo. Contudo, caminha a humanidade a cada dia para o reconhecimento de que bastariam alguns anos para que todas as edificações humanas se vissem sem sentido caso as gerações não se sucedessem umas as outras, abrindo assim maior espaço para os sentimentos de fraternidade universal que um dia estarão presentes na coletividade.
Muitas vezes, o presente versículo foi tomado como aplicável somente a figura do Divino Amigo, mas, lembremo-nos que foi ele mesmo quem nos instruiu que tudo o que fizéssemos aos mais pequeninos, é a ele que o faríamos, deixando-nos clara a lição da identidade que se estabelece pelos laços de amor.
A virgem, trazida aqui, pelos antigos textos, como símbolo da pureza que sabe unir-se a Deus, nessa condição traz em si a promessa de união. E que melhor expressão da presença de Deus conosco do que o nascimento de uma criança entre nós?
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